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24 de ago. de 2012

Garoto de 15 anos descobriu teste para diagnosticar câncer de pâncreas

Antes de tornar realidade um teste mais sensível, rápido e barato para detectar o câncer de pâncreas, Jack Andraka foi rejeitado por 199 pesquisadores

Leoleli Camargo , iG São Paulo |
Jack Andraka – guarde esse nome – tem 15 anos. Em maio deste ano ele venceu a Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel com um projeto que pode mudar a história do câncer de pâncreas: um teste para detectar a doença 68 vezes mais rápido, 400 vezes mais sensível e 26 mil vezes mais barato que o padrão usado hoje para detectar a doença, inventado nos anos 50 
A doença que vitimou um familiar de Jack e inspirou o jovem a pesquisar uma forma de detectá-la antes que ela se espalhe para o resto do corpo, tem um prognóstico sombrio: menos de 2% dos diagnosticados em estágio avançado sobrevivem.

BBC
Jack com o sensor de nanotubos: potencial revolução no diagnóstico do câncer de pâncreas

“Eu pensei: se fosse possível diagnosticar essa doença em estágios bem iniciais, as chances de sobrevivência aumentariam muito”, conta ele.
Munido de vontade, curiosidade e uma bagagem científica incomum para garotos da idade dele, Jack se embrenhou no tema e bolou o teste unindo conceitos estudados nas aulas de Biologia com o que havia lido em um artigo sobre nanotubos – estruturas milhares de vezes menores do que a espessura de um fio de cabelo.
“Eles têm propriedades incríveis, são como super-heróis da Ciência.”
Como ele conseguiu fazer isso? Filho mais novo de uma médica e um engenheiro civil, ele foi estimulado desde cedo a encontrar por si as respostas para as dúvidas que tinha sobre as coisas. Além de inteligente e esforçado, claro, Jack foi perseverante. Decidido a concretizar a ideia do teste, ele escreveu para nada menos que 200 pesquisadores norte-americanos apresentando o projeto de pesquisa e pedindo espaço em laboratório para trabalhar nele. Apenas um respondeu que sim. Ainda bem.
Jack conversou com o iG pelo telefone, do laboratório que aceitou abrigá-lo e incentivá-lo. Hoje, ele estuda meios de viabilizar comercialmente o teste. Jack Andraka – guarde esse nome – tem 15 anos. Veja a seguir a entrevista.
iG: Quando você começou a se interessar por ciências?
Jack Andraka: Eu tinha uns três anos quando meu pai comprou para mim e para o meu irmão [ dois anos mais velho ] uma maquete de plástico de um rio, com água e tudo. Nós ficamos brincando com aquilo o dia inteiro, observando a corrente e colocando os mais diferentes objetos nela, para ver o que afundava, o que seguia o curso da água e o que mudava a corrente. A gente queria respostas. Queria entender como aquilo acontecia. Acho que o interesse despertou a partir daí.
iG: Quanto tempo depois disso você começou a participar de competições de ciências?
Jack Andraka: A primeira competição foi na 6ª série, com 12 anos. Eu adaptei um dispositivo de segurança para evitar que o fluxo de água nas quedas d’água de pequenas represas cause afogamentos.
iG: Você venceu?
Jack Andraka: Eu tinha 10 anos e como estava na 6ª série, não podia participar do prêmio da Intel, porque aqui nos EUA ele é apenas para estudantes de ensino médio. Mas tirei segundo lugar na versão internacional do mesmo prêmio com esse projeto.
iG: Como você teve a ideia do projeto vencedor do prêmio internacional deste ano?
Jack Andraka: Eu escolhi um tema que me interessava na época. O câncer de pâncreas teve um impacto importante na minha família, nós perdemos um parente com a doença. Aí fui pesquisar sobre ela e descobri que 85% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, quando o câncer já está espalhado pelo corpo e os pacientes em geral têm menos de 2% de chances de sobrevivência. Eu pensei: se fosse possível diagnosticar essa doença em estágios bem iniciais, as chances de sobrevivência aumentariam muito.
iG: E você simplesmente decidiu fazer isso?
Jack Andraka: Bem, eu fui atrás de todas as formas conhecidas de diagnóstico desse tipo de câncer e descobri uma proteína chamada mesotelina, que está presente no câncer de pâncreas, assim como nos de ovário e pulmão. A ideia veio mesmo numa aula de biologia. Estávamos aprendendo sobre anticorpos, essas estruturas produzidas pelo sistema imunológico. No câncer que eu estava estudando, os anticorpos se ligavam apenas à mesotelina. Na mesma época, li um artigo muito legal sobre nanotubos de carbono. Você sabia que essas estruturas têm o diâmetro 150 mil vezes menor do que o de um fio do seu cabelo?

 

iG: Nossa, não tinha ideia de que eram tão pequenas...
Jack Andraka: Sim, os nanotubos têm propriedades incríveis, são
como super-heróis da Ciência. Ok, o que fiz foi meio que conectar essas duas ideias. Eu inventei um sensor de nanotubos de carbono e anticorpos capaz de identificar a presença da mesotelina e dizer, baseado no quanto dessa proteína se liga aos anticorpos, se a pessoa tem câncer de pâncreas.
iG: Quanto tempo você levou para concretizar a ideia?
Jack Andraka: Foram ao todo 7 meses de muito trabalho.
iG: Onde você trabalhou? Em casa? No laboratório da escola?
Jack Andraka: Não, eu contatei 200 pesquisadores na Universidade Johns Hopkins e nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos pedindo espaço em laboratório e apoio para desenvolver a minha pesquisa. Apenas um me disse sim [ Anirban Maitra, professor de Patologia, Oncologia e Engenharia Química e Biomolecular da Escola de Medicina da Johns Hopkins ]. Uns me responderam que não tinham espaço, outros que não tinham o equipamento, outros simplesmente não responderam. Quando finalmente fui aceito, cumpri um rigoroso processo para me transformar em um pesquisador e iniciei o trabalho.
iG: Durante a pesquisa, como ficou a escola? Você conseguia dar conta de tudo?
Jack Andraka: Normalmente eu consigo fazer todas as coisas da escola durante o período das aulas. Enquanto desenvolvia o projeto, eu ficava até tarde da noite no laboratório fazendo e refazendo os testes, então aproveitava o tempo entre eles para completar o dever de casa.
iG: Os seus pais não reclamavam de você ficar até tarde da noite trabalhando?
Jack Andraka: Meus pais não reclamavam, pelo contrário. Eles sempre valorizaram o trabalho e o esforço. Acho que só consegui chegar até aqui porque como pais eles me ajudaram e me incentivaram.
iG: Com todas essas atividades, você consegue passar algum tempo com os amigos e a família? Aliás, você tem namorada?
Jack Andraka: Não tenho namorada. Mas eu gosto de socializar sim. Este ano, com todo o trabalho no projeto, a minha vida social ficou um pouco comprometida, mas os meus amigos me apoiam e entendem isso. E continuam meus amigos.
iG: Depois da vitória no prêmio da Intel você foi contatado por algum interessado em produzir e vender o seu teste?
Jack Andraka: Sim, já fui contatado por sete empresas de biotecnologia interessadas em produzir o teste. Estou aguardando a conclusão do processo de patente, ainda não decidi que direção quero tomar.
iG: Além do câncer, quais outras áreas você ainda gostaria de pesquisar?
Jack Andraka: Eu definitivamente gosto de Biologia, mas também tenho interesses em Física e Química. Então venho tentando combinar essas três coisas nos meus próximos projetos.
iG: Já pensou sobre a faculdade? O que pretende cursar e onde deseja estudar?
Jack Andraka: Hum...não tenho a mínima ideia de onde ou o que vou estudar. Há tantas opções hoje em dia e tanta gente com diploma. Não sei se quero seguir esse caminho.
iG: O seu histórico e a sua mais recente invenção geraram uma grande expectativa em torno da sua performance no concurso do próximo ano. Como você lida com isso?
Jack Andraka: Acho que será um novo desafio. Quero participar do concurso do ano que vem e pretendo me divertir com isso. Só quero seguir pesquisando.

11 de ago. de 2012

Explorador Curiosity aterrissa em Marte 2012




Washington, 6 ago (EFE).- O veículo explorador Curiosity pousou hoje em Marte ao término de uma viagem de 567 milhões de quilômetros e no começo de uma missão de dois anos na busca de provas de vida no planeta vermelho.

A Nasa confirmou que a nave de uma tonelada, após uma complexa manobra durante "sete minutos de terror" desde sua entrada na atmosfera marciana, pousou na cratera Gale.

"Estou inteiro e a salvo na superfície de Marte", diz uma mensagem no blog da Nasa, que deu lugar a uma comemoração com aplausos e abraços entre o pessoal de sala de controle do Laboratório de Propulsão em Pasadena, Califórnia.

"Cratera Gale, aqui estou!", acrescentou a mensagem enviada de 248 milhões de quilômetros, nesta bem-sucedida fase de uma missão com um orçamento de US$ 2,5 bilhões.

Tal como tinha sido planejado, a cápsula abriu um gigantesco paraquedas quando estava a cerca de 11 metros de altura para frear a queda.

A cerca de 20 metros do solo, um sistema baixou o Curiosity, que abriu suas seis pernas de rodas e iniciou sua aventura em Marte.

http://blogs.discoverybrasil.uol.com.br/noticias/2012/08/a-sonda-curiosity-aterrissa-em-marte.html

18 de jul. de 2012

Astrônomos afirmam ter feito observação espacial mais precisa da história

Telescópios no Chile, Hawaii e Arizona atingem uma precisão dois milhões de vezes melhor que a da visão humana

iG São Paulo | - Atualizada às
ESO/M. Kornmesser
Impressão artística do quasar 3C 279, que foi observado a partir da ligação de três telescópio

Astrônomos conseguiram observar o coração de um quasar distante, com uma precisão sem precedente e equivalente a dois milhões de vezes melhor que a visão humana. Para fazer a observação direta mais precisa até hoje do centro de uma galáxia distante, Uma equipe internacional ligou, pela primeira vez, o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) com dois outros telescópios no Havaí e no Arizona.

20 de mai. de 2012

Impacto de asteroide ainda lidera teoria sobre extinção dos dinossauros


Pesquisadores avaliam se animais já estavam entrando em declínio antes de asteroide se chocar com a Terra

The New York Times |
Foto: Getty Images Ilustração mostra T.rex enquanto asteroide atinge a Terra
Faz cerca de 30 anos que os cientistas debatem o que determinou o destino dos dinossauros. Seria o impacto de um asteroide o único responsável pela catastrófica extinção em massa no final do período Cretáceo, há 65 milhões de anos? Ou os dinossauros já estavam passando por um declínio e o asteroide foi apenas o golpe de misericórdia?
Assim, três jovens pesquisadores liderados por Stephen L. Brusatte, pós-graduando da Universidade de Columbia em Nova York e afiliado ao Museu Americano de História Natural, decidiram testar essa hipótese com um exame minucioso dos registros fósseis dos 12 milhões de anos que antecederam a extinção em massa.
Para o estudo, os investigadores se afastaram da prática de se concentrar quase exclusivamente na contagem do número de espécies ao longo do tempo. Ao invés disso, eles analisaram as mudanças na anatomia e planos corporais de sete grandes grupos de dinossauros do final do Cretáceo para terem uma ideia de suas trajetórias evolutivas.
Grupos que mostraram um aumento na variabilidade, por exemplo, podem ter evoluído para mais espécies, dando-lhes uma vantagem ecológica. Mas a diminuição da variabilidade pode representar um sinal de alerta de destruição.

Em ciência, infelizmente, nem todos os projetos atendem às ambições dos pesquisadores. Os resultados desse projeto foram desiguais e, de modo geral, inconclusivos, relatou a equipe de Brusatte em um artigo publicado online na semana passada pelo periódico Nature Communications. Na melhor das hipóteses, revelando um aspecto positivo, a equipe escreveu que os "cálculos pintam um retrato com mais nuances dos últimos 12 milhões de anos da história dos dinossauros".
Como explicou Brusatte, o Cretáceo "não era um 'mundo perdido' estático que foi violentamente interrompido pelo impacto de um asteroide". Alguns dinossauros, disse ele, "estavam passando por mudanças drásticas nessa época, e grandes herbívoros parecem ter vivido um declínio de longo prazo, pelo menos na América do Norte".
Os resultados mostraram que os hadrossauros, conhecidos por seus bicos de pato, e os ceratopsídeos, conhecidos por seus chifres, eram dois grupos de herbívoros volumosos e que se alimentavam em massa (o que significa que comiam qualquer coisa e todas as coisas) e podem ter sofrido um declínio de diversidade nesse momento. Em contraste, pequenos herbívoros como os anquilossauros e paquicefalossauros, e os carnívoros tiranossauros e celurossauros, pareciam estar se mantendo estáveis ou até tendo um aumento na diversidade, assim como os enormes herbívoros saurópodes, como os apatossauros.
Os resultados não foram uniformes em diferentes continentes. Enquanto os hadrossauros diminuíram na América do Norte, sua diversidade parece ter aumentado em partes da Ásia. O registro fóssil em muitas regiões foi insuficiente para uma análise confiável, o que significa que o debate sobre a extinção continuará.
Além de Brusatte, os outros autores eram Richard J. Butler, da Universidade de Munique, Albert Prieto-Marquez, da Coleção de Paleontologia e Geologia do Estado da Baviera, em Munique, e Mark A. Norell, paleontólogo do Museu Americano e orientador de Brusatte.
Norell afirmou que o estudo sobre alterações esqueléticas em grupos de espécies ao longo do tempo foi "um caminho novo" para avaliar as suas perspectivas de sobrevivência a longo prazo. "Seria bom ter mais fósseis para ver o quanto esses resultados são reais", disse ele.
Paul C. Sereno, paleontólogo da Universidade de Chicago que não esteve envolvido no estudo, concordou que tais investigações sobre a vida no final do Cretáceo haviam sido "limitadas pela ausência de dados detalhados, que são realmente necessários". Ele questionou se a técnica de pesquisa, embora útil no estudo de invertebrados mais simples, poderia ser aplicada com sucesso aos dinossauros.
"É um estudo interessante e eles são pesquisadores de qualidade", disse Sereno, "mas eu não acho que ele altere o quadro geral: extinções não são processos simples, mas, em última análise, o asteroide foi o fator mais importante no final do Cretáceo".
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-05-20/impacto-de-asteroide-ainda-lidera-teoria-sobre-extincao-dos-dino.html


14 de abr. de 2012

Descoberta em caverna isolada bactéria resistente a antibióticos

Culturas de micróbios isolados por milhões de anos em caverna americana apresentaram resistência todos os antibióticos sintéticos

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo | 14/04/2012 08:00

  
Isoladas: pesquisadores encontraram na caverna Lechuguilla bactérias resistentes a antibióticos
Bactérias encontradas em uma caverna isolada no estado americano do Novo México, nos Estados Unidos, apresentaram resistência a antibióticos. A descoberta é surpreendente, pois sugere que existem muito outros antibióticos ainda desconhecidos, que podem ser encontrados na natureza e usados para tratamentos de doenças ainda sem cura.
As bactérias encontradas na caverna Lechuguilla, isoladas do contato humano por mais de quatro milhões de anos, eram resistentes a quase todos os antibióticos sintéticos. Embora nenhuma delas fosse capaz de provocar doenças, nem nunca terem sido expostas a antibióticos, elas apresentavam alta resistência. “A maioria dos mecanismos de resistência eram similares ao que já observamos em bactérias patogênicas que infectam humanos, porém, alguns delas são novos, nem sabíamos que existiam”, disse ao iG Hazel Barton, da Universidade Akron, nos Estados Unidos e uma das autoras do estudo publicado no periódico científico Plos One.
As bactérias da caverna Lechuguilla apresentam um tipo de resistência que ainda não tinham sido observado até então. De acordo com Hazel, isto pode ajudar pesquisadores a se prepararem enquanto este tipo de resistência ainda não é um problema no mundo.
Até então, ainda não estava claro quanto da resistência das bactérias a antibióticos estava relacionada com a infinidade de antibióticos sintéticos que o homem vem usando nos últimos 70 anos. Com a descoberta, pesquisadores acreditam estar mais perto do entendimento sobre a origem da resistência aos medicamentos, que atualmente tem criado um sério problema para o tratamento de doenças infecciosas.
Antibióticos podem ser produzidos de forma sintética  ou naturalmente por organismos no solo. Um sistema complexo permite que as bactérias tenham vários caminhos criar imunidade contra a ação destes antibióticos, como alterando suas características ou remover a substância antes que ela provoque a morte dos organismos unicelulares. "Muitos destes mecanismos estão codificados por um único caminho genético. Nós suspeitamos, com base no novo estudo, que estes caminhos são muito antigos”, disse.
 

7 de mar. de 2012

Fóssil de verme revela origens do homem

Verme que viveu há 500 milhões de anos é o ancestral mais antigo dos vertebrados

AFP | 06/03/2012 10:22
Foto: Divulgação
Verme é o mais primitivo dos vertebrados conhecidos até agora
Paleontólogos britânicos e canadenses rastrearam as origens dos seres humanos e outros vertebrados a partir do estudo do fóssil de um verme que nadava nos oceanos há 500 milhões de anos, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (5).
Uma nova análise de fósseis encontrados nas Montanhas Rochosas do Canadá, na jazdida conhecida como Xisto de Burgess, na província da Columbia Britânica, determinou que o extinto Pikaia gracilens é o membro conhecido mais primitivo da família dos cordados, que inclui peixes, anfíbios, aves, répteis e mamíferos.
A pesquisa, publicada na revista britânica Biological Reviews, identificou uma notocorda (estrutura primitiva) que se tornaria parte da coluna vertebral dos vertebrados, assim como tecidos musculares chamados miômeros em 114 espécimes fósseis desta criatura.
Também encontraram um sistema vascular.
"A descoberta de miômeros é a prova irrefutável que vínhamos buscando há muito tempo", disse o autor principal do estudo, Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

"Agora, com miômeros, um cordão nervoso, uma notocorda e um sistema vascular, todos identificados, este estudo situa claramente Pikaia como o cordado mais primitivo do planeta", afirmou Morris.
"Assim, da próxima vez que pusermos uma foto de família sobre a chaminé, lá no gundo estará o Pikaia", acrescentou.
Os primeiros exemplares de Pikaia gracilens foram coletados pelos exploradores pioneiros do Xisto de Burgess em 1911. No entanto, os cientistas passaram por alto pelos espécimes, considerados um antepassado das minhocas e das enguias.
Só na década de 1970, Morris sugeriu que este animal com cinco centímetros de comprimento, chato dos lados, e um pouco parecido com as enguias, que provavelmente nadavam movimentando seu corpo com curvas dos dois lados, poderia ser o membro mais antigo conhecido da família dos cordados.
Um espécime de Pikaia gracilens está em exibição no Museu Real de Ontário (ROM), e uma exposição maior no sítio de Burgess será organizada.
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/fossil-de-verme-revela-origens-do-homem/n1597666010062.html

22 de fev. de 2012

Cientistas descobrem novo planeta composto por água em sua maior parte

Planeta, que possui temperatura de 232 graus Celsius, está a 40 anos luz da Terra

AFP | 22/02/2012 09:42
Foto: NASA/ESA Ampliar
Planeta GJ1214b (na ilustração) é composto principalmente por água e conta ainda com uma leve atmosfera de vapor
Um grupo de astrônomos descobriu a existência de um novo tipo de planeta, composto em sua maior parte de água e com uma leve atmosfera de vapor, indicaram nesta terça-feira (21) o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (Cambridge, nordeste dos Estados Unidos) e a Nasa.
Trata-se de um planeta fora de nosso sistema solar denominado "GJ1214b", descoberto em 2009 graças ao telescópio espacial Hubble da Nasa, e que, segundo recentes estudos de um grupo de astrônomos, tem "uma enorme fração de sua massa" composta de água, indica um comunicado conjunto.
Em nosso sistema solar existem três tipos de planetas: rochosos e terrestres (Mercúrio, Vênus, a Terra e Marte), gigantes gasosos (Júpiter e Saturno) e gigantes de gelo (Urano e Netuno).
Por outro lado, existem planetas variados que orbitam em torno de estrelas distantes, entre os quais há mundos de lava e "Júpiteres" quentes.
"Observações do telescópio espacial Hubble da Nasa acrescentaram este novo tipo de planeta", ressaltaram o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e a Nasa em seu comunicado, onde explicam os estudos realizados pelo astrônomo Zachory Berta e por um grupo de colegas.
O "GJ1214b", situado a 40 anos luz da Terra, é considerado uma "super-Terra", com 2,7 vezes o comprimento de nosso planeta e sete vezes seu peso.
Ele orbita a cada 38 horas ao redor de uma estrela vermelha anã e possui temperatura estimada de 450 graus Fahrenheit (232 graus celsius).
Em 2010, um grupo de cientistas liderado por Jacob Bean havia indicado que a atmosfera de "GJ1214b" deveria ser composta em sua maior parte por água, depois de medir sua temperatura.
No entanto, suas observações também podem ter sido feitas em razão da presença de uma nuvem que envolve totalmente o planeta.
As medições e observações efetuadas por Berta e por seus colegas quando o "GJ1214b" passava diante de seu sol permitiram comprovar que a luz da estrela era filtrada através da atmosfera do planeta, exibindo um conjunto de gases.
O equipamento do Hubble permitiu distinguir uma atmosfera de vapor e os astrônomos conseguiram calcular depois a densidade do planeta a partir de sua massa e tamanho, comprovando que tem "muito mais água do que a Terra e muito menos rocha".
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/cientistas-descobrem-novo-planeta-composto-por-agua-em-sua-maior/n1597647717605.html

1 de fev. de 2012

Cientistas desenvolvem técnica para 'ler' pensamentos

Método que analisa sinais elétricos produzidos no cérebro é capaz de reconstruir som das palavras pensadas por pacientes

BBC Brasil | 01/02/2012 10:51


Foto: Getty Imagem
Pesquisadores monitoraram as ondas cerebrais de 15 pacientes
Cientistas americanos criaram um método para descobrir palavras nas quais pacientes estavam pensando, com base em suas ondas cerebrais.
A técnica, descrita na revista científica PLoS Biology, se baseia nos sinais elétricos nos cérebros de pacientes que ouviam diferentes palavras. Um computador foi depois capaz de reconstruir os sons nos quais os pacientes estavam pensando.
Segundo os pesquisadores, o método poderia ser usado no futuro para ajudar pacientes em coma ou com síndrome de encarceramento a se comunicar.

Imagens e sons
Estudos recentes vêm aperfeiçoando maneiras de "ler" pensamentos.No ano passado, a equipe do cientista Jack Gallant, da Universidade da Califórnia, Berkeley, desenvolveu uma maneira de relacionar os padrões de fluxo sanguíneo no cérebro a determinadas imagens nas quais os pacientes estavam pensando.
Agora, Brian Pasley, da mesma universidade, liderou uma pesquisa aplicando princípios semelhantes aos sons.
Sua equipe se concentrou no giro temporal superior (GTS), uma região do cérebro que não só é parte do aparato auditivo, mas também nos ajuda a entender linguisticamente os sons que ouvimos.
Palavra secreta
Os pesquisadores monitoraram as ondas cerebrais de 15 pacientes selecionados para cirurgia devido a epilepsia ou tumores, enquanto diferentes alto-falantes tocavam gravações contendo palavras e frases.
Eles usaram então um programa de computador para mapear que partes do cérebro reagiam, e de que forma, quando a pessoa ouvia diferentes frequências sonoras.
Depois, os pacientes recebiam uma lista de palavras e escolhiam uma na qual deveriam pensar. Com a ajuda do programa de computador, a equipe conseguia descobrir que palavra havia sido escolhida.
Eles conseguiram até reconstruir algumas das palavras, transformando as ondas cerebrais que eles viam de volta em som, com base nas interpretações feitas pelo computador.
"Este trabalho tem uma natureza dupla: a primeira é a ciência básica de entender como o cérebro funciona. A outra, do ponto de vista protético. Pessoas que têm problemas de fala poderiam usar um aparelho protético, quando elas não conseguem falar, mas conseguem pensar no que elas querem dizer", explicou um dos autores do estudo Robert Knight.
"Os pacientes estão nos dando estas informações, então seria bom podermos dar alguma coisa em troca no fim."
Os cientistas explicam, no entanto, que a ideia de "leitura de pensamento" ainda precisa ser amplamente aperfeiçoada para que aparelhos do tipo se tornem uma realidade.
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/cientistas-desenvolvem-tecnica-para-ler-pensamentos/n1597609078730.html

17 de jan. de 2012

Encontrado crânio de predador que vivia há 260 milhões de anos no Brasil

Carnívoro mais antigo da América do Sul apresenta semelhanças com animais que habitavam a Rússia

Maria Fernada Ziegler, iG São Paulo | 16/01/2012 19:07
 
 

Foto: Divulgação
Animal media três metros de comprimento e pesava mais que um leão
Pesquisadores encontraram o fóssil de uma nova espécie de predador da era Paleozóica em um sítio em São Gabriel, no Rio Grande do Sul. O animal viveu no sul do Brasil muito antes dos dinossauros e a análise do fóssil traz informações importantes de como era o cenário da região há mais de 260 milhões de anos, pois o Pampaphoneus biccai é o mais antigo carnívoro terrestre encontrado na América do Sul.
A análise do crânio do animal mostrou que ele media aproximadamente três metros de comprimento e pesava mais que um leão. De acordo com os pesquisadores, apesar do aspecto geral, ele não era um réptil, nem um dinossauro. Análises dos ossos mostraram que se trata de um terápsido – animal da linhagem que deu origem aos mamíferos atuais.
Os terápsidos habitavam a Rússia, Casaquistão, China e África do Sul. De acordo com Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí e um dos autores do estudo, a semelhança entre Pampaphoneus biccai e outros animais que habitavam outras regiões do planeta indica que a fauna terrestres do supercontinente Pangea tinham uma distribuição global já há 260 milhões de anos. Cisneros afirma que normalmente é aceito que os animais passaram a se dispersar no Triássico, entre 251 e 199 milhões de anos atrás.
“Na Era Paleozóica - entre 540 milhões e 250 milhões de anos atrás - o fato de os continentes estarem se juntando contribuiu para uma troca entre a fauna e a flora destas regiões que hoje são tão distantes no globo”, disse Juan carlos Cisneros, um dos autores do estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Science.
Fósseis de animais do período do Pampaphoneus biccai são raros em todo o mundo. Estudos anteriores identificaram fósseis de herbívoros daquela época, como o pareiassauros e o anomodonte Tiarajudens eccentricus. Cisneros acredita que com a descoberta de um grande predador será mais fácil obter um panorama do ecossistema naquele período.
Ainda é preciso fazer mais análises no animal. “Ainda não sabemos se ele punha ovos, tinha pelos ou sangue quente”, afirma Cisneros. A espécie recebeu o nome de Pampaphoneus biccai, que significa “matador dos pampas”. O nome da espécie, biccai, é uma homenagem a José Bicca,proprietário da fazenda onde foi realizado o achado em 2008.
 http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/encontrado-cranio-de-predador-que-vivia-ha-260-milhoes-de-anos-n/n1597580238029.html

12 de jan. de 2012

Astrônomos encontram menor sistema planetário do universo

Três planetas rochosos giram ao redor de uma estrela seis vezes menor que o Sol

EFE | 12/01/2012 09:49
 

Foto: NASA/JPL-Caltech/UCLA
Na ilustração do sistema planetário, os três planetas rochosos giram ao redor de uma única estrela
Uma equipe de astrônomos encontrou o menor sistema planetário detectado até agora, formado por três planetas rochosos que giram ao redor de uma única estrela, que está a 130 anos-luz na constelação Cygnus, informou nesta quarta-feira a Nasa (agência espacial americana).
Com os dados do observatório espacial Kepler, os astrônomos encontraram três pequenos planetas orbitando ao redor da estrela chamada KOI-961, uma anã vermelha com diâmetro seis vezes menor que o Sol.
Os três parecem ser rochosos, como a Terra, mas estão mais perto de sua estrela, tornando-se quente demais para a existência água líquda, um dos elementos fundamentais para a vida.

Dos mais de 700 planetas confirmados que orbitam outras estrelas, denominados exoplanetas, poucos são rochosos, no entanto, a Nasa destaca que já que as anãs vermelhas são o tipo mais comum de estrela na Via Láctea, esta descoberta aponta que, apesar de serem menos comuns, a galáxia poderia estar cheia de planetas rochosos similares.
O Kepler vigia mais de 150 mil estrelas na busca por planetas ou candidatos a planetas, que detecta pelo descenso no brilho dos astros causado pelo cruzamento ou trânsito de planetas.
O principal pesquisador da missão Kepler no Instituto de Ciências Exoplanetárias da Nasa em Pasadena, John Johnson, confirmou que é "o menor sistema solar encontrado até agora".
Johnson destacou que, este sistema se parece mais com Júpiter e suas luas, que qualquer outra descoberta até agora, o que demonstra "a diversidade de sistemas planetários em nossa Galáxia".
O anúncio da descoberta foi realizado durante a reunião anual da Sociedade Astronômica Americana, que este ano acontece em Austin, no Texas.
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/astronomos-encontram-menor-sistema-planetario-do-universo/n1597568108241.html

31 de dez. de 2011

Pesquisadores fazem robô controlar braço humano

Estudo de brasileiros e franceses mostra que controle de movimentos pode partir de um circuito e não de neurônios

AE | 30/12/2011 12:26
Em um experimento inédito, pesquisadores brasileiros e franceses mostraram que um robô pode controlar diretamente os movimentos de um braço humano, coordenando a execução de tarefas simples.
No estudo, o robô segurava uma pequena cesta e, por meio de estímulos elétricos, controlava o braço de um voluntário, que tinha uma bola na mão. O objetivo era fazer com que o voluntário, de olhos vendados, acertasse a cesta. Ser humano e máquina deveriam, portanto, atuar juntos, mas o controle caberia aos circuitos e não aos neurônios.

O experimento deu certo e os resultados foram apresentados em setembro na Conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos sobre Robôs e Sistemas Inteligentes (IEEE-Iros, na sigla em inglês), em São Francisco (EUA).
Ao lado do francês Philippe Fraisse, dois brasileiros coordenaram o estudo, realizado no Laboratório de Informática, Robótica e Microeletrônica da Universidade Montpellier 2, na França.
Hoje, Antonio Padilha Lanari Bó realiza pesquisas em robótica na Universidade de Brasília. Ele explica que o experimento poderá ter aplicações clínicas, especialmente no auxílio a pessoas com paralisia ou doenças neurodegenerativas com impacto na coordenação motora.
"Sistemas robóticos podem oferecer uma grande ajuda na realização de tarefas básicas", aponta Padilha. "E, se fizerem isso contando com os movimentos que o paciente consegue realizar, podem contribuir para a reabilitação."
A técnica funciona em pessoas com lesões na medula espinhal, pois o estímulo age diretamente sobre músculos, sem a participação dos nervos.
Na realidade, a estimulação elétrica funcional (EEF) já é utilizada na reabilitação de pessoas com paralisia nos membros: os impulsos fazem com que músculos contraiam ou distendam, impedindo a atrofia das fibras. Contudo, o uso da EEF para coordenar movimentos e realizar tarefas concretas constitui uma abordagem pouco comum.
"E nosso trabalho é o primeiro a conjugar a EEF com a ação e o controle de um robô", afirma Bruno Vilhena Adorno, que tornou-se professor na Universidade Federal de Minas Gerais.
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/pesquisadores-fazem-robo-controlar-braco-humano/n1597491201658.html

24 de nov. de 2011

Descoberto planeta habitável fora do Sistema Solar

Exoplaneta Gliese 581g apresenta condições ideais de vida, como possibilidade de água e temperatura semelhante à da Terra

iG São Paulo | 29/09/2010 19:14



Foto: Zina Deretsky, National Science Foundation
Como a Terra: exoplaneta Gliese 581g oferece indícios de que possa ser habitável
Astrônomos informaram hoje que pela primeira vez avistaram claramente um planeta fora do Sistema Solar com condições ideais de vida, onde pode existir água líquida na superfície do planeta. Se confirmado, este seria o exoplaneta mais parecido com a Terra já descoberto e o primeiro caso potencialmente habitável.

O planeta tem o do tamanho da Terra e três vezes a sua massa. Os pesquisadores estimaram que a temperatura de superfície do planeta seja entre - 31 e -12 graus Celsius - valores onde a vida humana possa existir. E acima de tudo, o novo planeta está muito próximo da Terra, apenas 20 anos luz de distância, na constelação de Libra.

O planeta está em torno da estrela anã vermelha Gliese 581, que tem outros planetas ao seu redor. Como o Sistema Solar, os planetas ao redor de Gliese 581 têm órbitas quase circulares. O novo planeta tem um período orbital (o que na Terra equivale a um ano) de menos de 37 dias. Sua massa indica que ele é provavelmente um planeta rochoso.

“Nossa descoberta representa um caso muito convincente para um planeta potencialmente habitável”, disse Steven Vogt, professor de Astronomia e Astrofísica da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, que participou do estudo. ”O fato de termos detectado esse planeta tão rapidamente e tão perto da Terra nos diz que planetas como este devem ser muito comuns".

O estudo, realizado pela Universidade da Califórnia, Santa Cruz e pelo Instituto Carnegie, foi publicado hoje (29) no periódico científico Astrophysical Journal.
 Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/descoberto+planeta+habitavel+fora+do+sistema+solar/n1237787221889.html

17 de out. de 2011

Fóssil de gigantesco bicho preguiça pré-histórico

Museu de Ciências Naturais da PUC Minas guarda, entre outras coisas, fóssil de gigantesco bicho preguiça pré-histórico…

11 de out. de 2011

Maior vírus do mundo é descoberto no litoral do Chile

O megavírus tem o maior código genético de um vírus, abrigando mais de mil genes

AFP | 10/10/2011 19:38

Foto: Divulgação
Na imagem, a comparação entre o Megavírus e o Mimivírus (topo)
Um vírus encontrado no litoral do Chile é o maior do mundo, abrigando mais de mil genes e surpreendendo os cientistas que anunciaram a descoberta nesta segunda-feira (10). O genoma do Megavirus chilensis é 6,5% maior do que o código genético do recordista anterior, o Mimivirus, isolado em 2003.
Os vírus diferem das bactérias por serem menores em sua maioria, e por não poderem se reproduzir por conta própria, necessitando penetrar em uma célula hospedeira. Mas o M. chilensis é tão grande, que ultrapassa muitas bactérias em tamanho, e é o vírus de DNA mais complexo geneticamente já descrito.
O M. chilensis foi retirado de uma amostra de água do mar recolhida perto do litoral de Las Cruces, Chile. Seu organismo hospedeiro é desconhecido.
Os vírus de DNA incluem o poxvírus e o herpes vírus, mas o M. chilensis "não parece causar nenhum mal ao ser humano", indicou Jean-Michel Claverie, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica da França (CNRS).
O estudo foi publicado na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

5 de out. de 2011

Estudo faz macaco mexer e sentir objetos virtuais só com o pensamento

Experimento do brasileiro Nicolelis permitirá que paraplégicos manuseiem objetos tendo sensação tátil; leia a entrevista ao iG

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo | 05/10/2011 15:00
Estudo faz macaco mexer e sentir objetos virtuais só com o pensamento
Experimento do brasileiro Nicolelis permitirá que paraplégicos manuseiem objetos tendo sensação tátil; leia a entrevista ao iG

Foto: Katie Zhuang
Pesquisadores conseguiram demonstrar, pela primeira vez que é possível mexer e sentir objetos virtuais usando apenas o pensamento
Mover objetos virtuais a partir do pensamento e com o auxílio de uma prótese ligada ao cérebro já é complexo. Agora, pesquisadores liderados pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis conseguiram avançar esta tecnologia e demonstrar que é possível também sentir e movimentar objetos virtuais a partir do pensamento.
O teste realizado em dois macacos rhesus é inédito por juntar movimento e sensação tátil. No futuro próximo, pacientes paralisados por lesões na medula espinhal poderão recuperar não só o movimento, mas as sensações por meio de um exoesqueleto com esta tecnologia, por exemplo.
“Este é o trabalho mais completo e mais importante na área interação cérebro-máquina para que a gente possa ter certeza de que é possível fazer aplicações clínicas que unam movimento e sensação tátil”, afirmou ao iG o neurocientista Miguel Nicolelis que publicou o estudo na edição desta semana do periódico científico Nature.
O pesquisador acredita que com o sucesso do experimento realizado em macacos seja possível, em dois ou três anos, aplicá-lo na construção de um exoesqueleto controlado pela atividade cerebral que permita movimento a pacientes paraplégicos. Simultaneamente sensores distribuídos no exoesqueleto darão o feedback necessário para que o cérebro do paciente receba a informação tátil.
O experimento foi realizado em dois macacos reshus (Macaca mulatta) que receberam eletrodos em seus cérebros que estavam ligados a um computador. Sem mover nenhuma parte do corpo, os animais passaram a movimentar o braço virtual usando apenas a atividade elétrica do cérebro. Os macacos passam, então a movimentar este braço virtual e a explorar três objetos que são visualmente iguais, porém com diferentes texturas virtuais. As diferentes texturas dos objetos virtuais são expressadas por diferentes padrões de tempo emitidos pelos sinais elétricos aos cérebros dos macacos.
“Ele passa a mão virtual controlando esse movimento pelo pensamento e depois recebe informação sobre a textura através de um sinal elétrico que vai direto para o cérebro dele. O macaco realiza esta tarefa de discriminação tátil sem nenhuma interferência do corpo. Diretamente controlando o movimento e recebendo feedback e isso basicamente permite que ele realize uma tarefa tão complexa como que ele realizaria com a própria mão”, explicou Nicolelis ao iG.
Nicolelis afirma que tem o sonho de apresentar o exoesqueleto com capacidade motora e tátil na abertura da Copa do Mundo, em 2014, no Brasil. “O paciente paraplégico entraria com os jogadores da seleção no campo e andar com os seus próprios meios até o meio de campo e dar o chute inicial usando sua veste robótica”, disse.

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/estudo-faz-macaco-mexer-e-sentir-objetos-virtuais-so-com-o-pensamento/n1597258021826.html

22 de set. de 2011

Ancestral de mamíferos com dentes de sabre é descoberto no Brasil

Animal herbívoro, que viveu há 260 milhões de anos, parece ser mistura de animais diferentes, diz descobridor

Alessandro Greco, especial para o iG | 24/03/2011 15:00


Foto: Juan Cisneros
O Tiarajudens eccentricus usava seus dentes de tigre dente de sabre para espantar predadores
O sobrenome eccentricus já conta boa parte de quem é o Tiarajudens eccentricus, um herbívoro que viveu há 260 milhões do anos no Brasil. Descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Tiaraju, no interior do Rio Grande do Sul, ele tinha, apesar de comer apenas plantas, um par de dentes de tigre de sabre (um carnívoro ferrenho) do comprimento de lápis de cera, desses para crianças. As presas do eccentricus não são, no entanto, sua única, digamos, excentricidade. “Ficamos todos muito surpresos [com a descoberta], pois esta nova espécie reúne características muito inesperadas, causando inclusive a impressão de ser uma mistura de animais diferentes. Ele possui dentes incisivos similares aos de um ruminante e dentes molares que no seu conjunto lembram os de uma capivara. Contrastando com esta dentição típica de animal herbívoro, temos a presença de grandes dentes de sabre como os de um felino. Mais ainda, os molares não estão na maxila e sim no palato, algo nunca antes visto num quadrúpede.”, explicou ao iG Juan Carlos Cisneros, da UFPI, que liderou o trabalho.
A descoberta, relatada na edição de hoje do periódico científico Science, também traz uma das primeiras evidências da capacidade dos terapsídeos (grupo de animais do qual o Tiarajudens eccentricus faz parte e que deu origem aos mamíferos) de mastigar de forma eficiente os alimentos. “Isto mostra que algumas características que considerávamos típicas dos mamíferos e de seus ancestrais próximos (os cinodontes), tais como a mastigação, apareceram milhões de anos antes, no final da era Paleozoica.”, explicou Cisneros. A habilidade de mastigar, chamada oclusão dental, permitiu, por exemplo, que o eccentricus processasse plantas com grande quantidade de fibra e pudesse se expandir para novas nichos ecológicos.
O eccentricus também possui a mais antiga presença de dentes de sabre num herbívoro, característica que até então nunca havia sido observada num animal que não fosse um mamífero. “Hoje em dia, os únicos herbívoros com dentes de sabre são cervos que habitam a Asia (o veado-almiscareiro e o veado-d'água), que usam seus dentes de sabre para lutas territoriais entre os machos.”, afirmou Cisneros. O eccentricus, segundo os pesquisadores, talvez usasse os seus para assustar os predadores ou para, como os cervos, garantir seu espaço.

Mamíferos já evoluíam antes da extinção dos dinossauros

Estudo com partipação de professor da PUC-RS mostra que início do domínio do grupo na Terra começou há 80 milhões de anos

Tatiana Tavares, especial para o iG | 22/09/2011 16:05

Mamíferos já evoluíam antes da extinção dos dinossauros
Estudo com partipação de professor da PUC-RS mostra que início do domínio do grupo na Terra começou há 80 milhões de anos

Foto: Getty Images
Filhote de urso pardo: estudo muda cronologia da evolução dos mamíferos
Um novo estudo sobre mamíferos indica que eles começaram a se diversificar muito antes do que se pensava. Isso teria sido há 80 milhões de anos, no período Cretáceo, e não como se pensava antes - acreditava-se que a maior diversificação dos mamíferos teria ocorrido logo após a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

A pesquisa, liderada por Robert Meredith, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia, analisou dados moleculares de 164 espécies de mamíferos, trazendo nova luz sobre como e quando eles se diversificaram e começaram a ocupar diferentes nichos ecológicos ao redor do planeta.

“Embora estudos anteriores tenham elucidado as relações entre os mamíferos, este é o primeiro a examinar as relações e os tempos de divergência entre as famílias de mamíferos usando uma reunião de dados de um grande número de genes diferentes”, disse Meredith ao iG.

Segundo Mark Springer, coautor do estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira (22), os resultados sugerem a ocorrência de dois eventos na história da Terra que atuaram de forma importante na diversificação dos mamíferos.

“O primeiro deles foi a radiação de plantas com flores durante a Revolução Terrestre do Cretáceo, que muito provavelmente impulsionou uma importante diversificação taxonômica dos mamíferos cerca de 80 milhões de anos atrás. E a segunda teria sido a abertura de um espaço para a aceleração da diversificação morfológica dos mamíferos após a extinção dos dinossauros”, afirmou Springer, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia.

O boom dos mamíferos
Segundo o novo estudo, o grande momento de diversificação dos grupos de mamíferos não teria sido após a extinção dos dinossauros, e sim antes.

Os mamíferos têm a mesma idade que os dinossauros, mas a ideia que se tem é a de que teriam apresentado pouca diversidade durante muito tempo, de acordo com Eduardo Eizirik, da Faculdade de Biociências da PUC-RS, coautor do estudo publicado na Science. Foi durante seu trabalho de doutorado no Laboratório de Diversidade Genômica dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, em Maryland, que Eizirik se uniu a outros colegas, incluindo o grupo de Mark Springer, para investigar a evolução dos mamíferos, resultando em uma série de estudos sobre este tema.

Por mais de 100 milhões de anos, os mamíferos teriam mantido uma estrutura bastante primitiva, perdendo na corrida com os dinossauros e só conseguido se diversificar expressivamente após a extinção deles. Mas o estudo apresentado agora prova que a equação não é tão simples assim. Há uma diversificação dos mamíferos anterior à extinção dos dinossauros.

“Os principais grupos de mamíferos já estavam formados antes de os dinossauros desaparecerem, e a diversificação entre os grupos teria ocorrido em lugares diferentes do planeta. Eles eram muito parecidos, mas já estavam formando linhagens próprias antes mesmo da extinção dos dinossauros”, comenta Eizirik em entrevista ao iG.

“Quando os dinossauros se extinguiram houve também diferenciação dos mamíferos, mas não tão intensa como ocorreu 15 milhões de anos antes. Nossos artigos anteriores já demonstravam que o pico da diferenciação teria sido anterior à extinção dos dinossauros, mas não detalhavam quando isso teria ocorrido. Agora, temos essa resposta”, completa.

Segundo Springer, o estudo fornece uma estrutura para muitas outras linhas de investigação, incluindo um roteiro para projetos futuros de sequenciamento de genomas.

Físicos europeus descobrem partículas mais rápidas que a luz

Pesquisadores do Cern dizem ter encontrado neutrinos que desafiam a teoria da relatividade de Einstein

iG São Paulo | 22/09/2011 17:01
Físicos europeus descobrem partículas mais rápidas que a luz
Pesquisadores do Cern dizem ter encontrado neutrinos que desafiam a teoria da relatividade de Einstein
Foto: AP
Sede do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern, em Genebra: descoberta que balança as leis da Física
Físicos anunciaram esta quinta-feira (22) que partículas subatômicas denominadas neutrinos podem viajar mais rápido que a luz, uma descoberta que, se comprovada, seria inconsistente com a teoria da relatividade de Einstein.
Em experimentos feitos entre o Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), em Genebra, na Suíça, e um laboratório na Itália, as minúsculas partículas foram cronometradas a uma velocidade de 300.006 km/seg, sutilmente mais rápido do que a velocidade da luz, afirmaram os cientistas.
“Dá uma sensação de que tem alguma coisa errada, que isso não pode estar acontecendo,” disse James Gillies, porta-voz do Cern. Ele afirmou que os resultados surpreenderam tanto os pesquisadores da institução que eles pediram que outros colegas verificassem suas medições antes de anunciar de fato a descoberta.”Eles estão convidando a comunidade mundial da Física a examinar minuciosamente seu trabalho, e idealmente, conseguir que alguém repita os resultados,” afirmou.
A equipe do acelerador de partículas do Fermilab, nos Estados Unidos, já se comprometeu a iniciar esse trabalho. “É um choque,” disse o chefe do grupo de Física Teórica do Fermilab, Stephen Parke, que não fez parte da pesquisa na Suíça. “Vai nos causar um monte de problemas, isso é fato. Se é que é mesmo verdade”.
O Fermilab conseguiu resultados semelhantes em 2007, mas a margem de erro era tão grande que minimizou sua importância científica.
Outros cientistas de fora do Cern mostraram ceticismo. O chefe do departamento de Física da Universidade de Maryland chamou a descoberta de “tapete voador”, algo fantástico demais para ser crível.
O Cern afirma que um raio de neutrinos (conhecidos por ser uma das partículas mais estranhas da Física moderna) disparado de Genebra para um laboratório na Itália a 730 quilômetros de distância viajou 60 nanossegundos mais rápido que a velocidade da luz, com uma margem de erro de 10 nanossegundos. Mas como as implicações do experimento são importantes, os cientistas passaram meses checando e rechecando seus resultados para garantir que não houve erros e falhas na experiência.

“Não achamos nenhum erro que pudesse explicar este resultado,” afirmou Antonio Erediato, físico da Universidade de Berna, na Suíça, que esteve envolvido na experiência, chamada de OPERA.
Além do Fermilab, nos Estados Unidos, outro centro de pesquisa que pode replicar a experiência é o T2K, no Japão, que no momento está desativado por conta do terremoto de 11 de março.
Mas os cientistas concordam que se os resultados forem confirmados, eles vão forçar uma revisão completa das leis da física.
A Teoria da Relatividade de Einstein, que diz que a energia é igual a massa vezes a velocidade da luz é a base de toda a física moderna, afirmou John Ellis, físico do Cern que não esteve envolvido na experiência. “Funcionava perfeitamente até agora”, ressaltando que os pesquisadores do OPERA podem ter a responsabilidade de explicar como neutrinos mais rápidos que a luz não foram descobertos até agora. “Se for verdade, é uma descoberta tão fantástica, mas tão fantástica, que temos que ser cuidadosos até confirmá-la”.

21 de ago. de 2011

Centro de Historia Natural

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